Há edifícios que guardam a sua história na pele. A Antiga Fábrica de Conservas da Avenida Serpa Pinto, em Matosinhos, é um desses casos: o betão pigmentado em terracota, a caixilharia escura e a chaminé industrial que persiste no horizonte são sinais de uma identidade que recusou desaparecer. Fotografia de arquitectura em Matosinhos é, muitas vezes, trabalhar com a tensão entre o que foi e o que é — e este projecto da Home Me é um dos exemplos mais conseguidos dessa conversa.

O branco como moldura
Por dentro, o projecto surpreende pela contenção. Paredes brancas, pavimento em carvalho claro, mobiliário de linhas limpas — tudo calibrado para não competir com a luz natural que entra pelas grandes portas de correr. O elemento recorrente é um painel de ripado de madeira que percorre os espaços como fio condutor: aparece na sala como fundo da zona de televisão, reaparece no quarto a integrar secretária e prateleiras com iluminação embutida. É o tipo de detalhe que um fotógrafo de interiores aprecia — um motivo visual que unifica sem impor. As casas de banho, revestidas a pedra de efeito mármore branco com chuveiro de teto e luz perimetral, completam um interior que tem a qualidade de um boutique hotel com a escala certa de uma casa.

A fábrica lá fora
O exterior é onde o projecto ganha outra dimensão. As paredes em estuque terracota dos terraços privados criam um enquadramento quase pictórico — a cor saturada contrasta com o interior branco visível através do vidro, e a chaminé fecha a composição ao fundo como se sempre tivesse sido pensada para isso. No pátio interior, um mural de Vhils de grande escala cobre um dos panos de parede e introduz uma nota inesperada: arte urbana a dialogar com arquitectura de reabilitação, sob um céu que, naquele dia, não podia ter estado mais azul.
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